{"id":148,"date":"2019-05-22T11:09:59","date_gmt":"2019-05-22T14:09:59","guid":{"rendered":"http:\/\/registortorella.adv.br\/noticias\/?p=148"},"modified":"2019-09-18T11:10:33","modified_gmt":"2019-09-18T14:10:33","slug":"quem-altera-curso-de-agua-da-chuva-tem-de-indenizar-vizinhos-por-eventuais-prejuizos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/registortorella.adv.br\/noticias\/quem-altera-curso-de-agua-da-chuva-tem-de-indenizar-vizinhos-por-eventuais-prejuizos\/","title":{"rendered":"Quem altera curso de \u00e1gua da chuva tem de indenizar vizinhos por eventuais preju\u00edzos"},"content":{"rendered":"<p>\u200bA atua\u00e7\u00e3o humana que altera o curso das \u00e1guas pluviais e causa preju\u00edzo \u00e0 vizinhan\u00e7a gera o dever de indenizar, j\u00e1 que o vizinho s\u00f3 \u00e9 obrigado a tolerar a enxurrada quando seu fluxo decorre exclusivamente da natureza.<\/p>\n<p>A partir desse entendimento, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) negou provimento ao recurso de um agricultor que tentava se isentar da obriga\u00e7\u00e3o de indenizar seu vizinho, alegando n\u00e3o haver obras em seu terreno que interferissem no curso das \u00e1guas da chuva.<\/p>\n<p>As duas partes do processo s\u00e3o propriet\u00e1rias de terrenos rurais e atuam na agricultura. O agricultor condenado pelo Tribunal de Justi\u00e7a do Paran\u00e1 (TJPR) a pagar indeniza\u00e7\u00e3o ao vizinho \u00e9 dono de uma \u00e1rea mais alta, separada do adjacente apenas por uma estrada.<\/p>\n<p>Na a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o, o agricultor com o terreno na parte inferior alegou que o fluxo de \u00e1guas que recebia em sua propriedade prejudicava o cultivo, e os transtornos eram gerados pela falta de conten\u00e7\u00e3o na propriedade superior, bem como pela atividade de cria\u00e7\u00e3o de gado desenvolvida pelo vizinho.<\/p>\n<p>Em primeira e segunda inst\u00e2ncias, o pedido foi julgado procedente, e o dono do terreno superior foi condenado a realizar as obras de conten\u00e7\u00e3o e a pagar indeniza\u00e7\u00e3o pelos preju\u00edzos materiais suportados pelo outro.<\/p>\n<h2>Situa\u00e7\u00e3o agravada<\/h2>\n<p>Segundo a relatora do recurso especial, ministra Nancy Andrighi, foram corretas as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias na aplica\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/LEIS\/2002\/L10406.htm#art1288\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">artigo 1.288<\/a><\/strong>\u00a0do C\u00f3digo Civil, segundo o qual o dono do terreno inferior \u00e9 obrigado a receber as \u00e1guas que correm naturalmente do superior, desde que as condi\u00e7\u00f5es do seu im\u00f3vel n\u00e3o sejam agravadas por obras feitas no terreno superior.<\/p>\n<p>A relatora destacou que, embora o dono do terreno superior n\u00e3o tenha realizado obras em sua propriedade, ficou comprovado que a pecu\u00e1ria exercida por ele provocou o agravamento da condi\u00e7\u00e3o natural e anterior do outro im\u00f3vel, surgindo da\u00ed o dever de indenizar.<\/p>\n<p>Nancy Andrighi afirmou que a norma do artigo 1.288 deve ser interpretada \u00e0 luz do princ\u00edpio constitucional da fun\u00e7\u00e3o social, que qualifica a propriedade como uma rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica complexa, em que se estabelecem direitos e deveres rec\u00edprocos, a partir da articula\u00e7\u00e3o entre o interesse do titular e a utilidade social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u200bA atua\u00e7\u00e3o humana que altera o curso das \u00e1guas pluviais e causa preju\u00edzo \u00e0 vizinhan\u00e7a gera o dever de indenizar, j\u00e1 que o vizinho s\u00f3 \u00e9 obrigado a tolerar a enxurrada quando seu fluxo decorre exclusivamente da natureza. 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